Brasil x Honduras – Afastar a zebra e seguir caminhando rumo ao ouro

04/08/2012

 

Campinas, SP, 03 (AFI) – À primeira vista, só um desastre tira a seleção brasileira das semifinais dos Jogos Olímpicos. O status de candidata mais forte ao título foi reforçado pelo bom futebol mostrado na primeira fase (e pela eliminação surpreendente de Espanha e Uruguai). E o adversário deste sábado pelas quartas de final está longe de ser uma potência mundial. Evitar o desastre será a tarefa da turma de Mano Menezes na partida contra Honduras.

Tudo está a favor da seleção. Além da óbvia diferença de tradição entre o futebol brasileiro e o hondurenho, o Brasil foi o único time que venceu suas três partidas na etapa de classificação – e ainda tem o melhor ataque dos Jogos. Honduras, por outro lado, tem a seu favor a histórica vitória por 1 a 0 sobre a Espanha, o resultado mais surpreendente do torneio, mas os empates com Marrocos e Japão não são resultados capazes de tirar o sono dos brasileiros.

Adversário não muito conhecido
Os jogadores da Seleção admitem que sabem muito pouco sobre Honduras. Quase nada mesmo. O que eles sabem é que a zebra está solta nos Jogos Olímpicos, como os próprios hondurenhos já provaram. Sendo assim, não convém contar com a vitória antes de o jogo começar.

“A seleção é favorita em qualquer torneio que disputa, sabemos disso, mas precisamos trabalhar duro para mostrar isso no campo”, disse Marcelo, usando um discurso que é igualzinho ao de todos os outros brasileiros.

É evidente que quem fez a cabeça dos atletas para falar tanto em respeito ao adversário foi Mano Menezes. O treinador está consciente de que uma eliminação nas quartas de final seria uma tragédia, e mais ainda ocorrendo diante de uma equipe sem tradição. Por isso, o gaúcho tem insistido tanto em elogiar os hondurenhos, e é óbvio que ele usa a vitória sobre a Espanha para reforçar sua argumentação. “Honduras conseguiu uma vitória significativa. É um adversário difícil.”

Ainda que o presidente da CBF, José Maria Marin, tenha dito nesta semana que o resultado do Brasil na Olimpíada não vai influenciar o futuro de Mano, é claro que isso pode mudar em caso de um grave acidente de percurso. E uma derrota para Honduras seria exatamente isto. Embora o técnico tenha uma impressionante capacidade de esconder suas emoções, é de se imaginar que ele esteja tenso, porque já percebeu que uma derrota pode lhe custar caro.

A experiência de Mano Menezes em fases de mata-mata como técnico da Seleção é curta, mas marcante. E péssima. Foi um jogo só, contra o Paraguai, pelas quartas de final da Copa América do ano passado, e o gaúcho amargou a eliminação na disputa por pênaltis Foi um dos momentos mais embaraçosos da história da seleção, que errou todas as cobranças que executou. Agora que está de novo em uma etapa eliminatória, o técnico diz que a receita para não cair é manter o estilo de jogo da fase de classificação.

Ofensivo, mas nem tanto
Segundo Mano, para qualquer time existe uma tendência de ser mais conservador em um jogo eliminatório, mas ele diz que isso pode ser prejudicial para a seleção. “A primeira fase ainda permite arriscar mais, porque é possível perder um jogo e ainda continuar na disputa. No mata-mata o custo é muito alto, mas não quero que a minha equipe perca a capacidade de arriscar.”

Por mais que valorize a Olimpíada, torneio que pode ser decisivo para seu futuro na seleção, é inegável que Mano nunca tira da cabeça a Copa do Mundo. E como muitos dos jogadores que estão no torneio olímpico certamente disputarão o Mundial, o técnico está convencido de que é preciso jogar de maneira ousada agora porque daqui a dois anos, jogando no Brasil, será impossível adotar uma postura conservadora quando o mata-mata chegar.

Lembrança da Copa América
Honduras não é o tipo de país que costuma alcançar grandes glórias no futebol, então as vitórias mais importantes são guardadas na memória de seus torcedores por muitos anos. É o caso do triunfo por 2 a 0 sobre o Brasil na Copa América de 2001, na Colômbia. Para a seleção brasileira, aquele resultado foi um vexame histórico, mas para Honduras foi motivo de orgulho. Na verdade, ainda é motivo de orgulho, já que o país da América Central nunca esquece que houve uma vez em que conseguiu eliminar a seleção mais famosa do mundo nas quartas de final do torneio continental.

Aquele triunfo obtido na cidade de Manizales serve como inspiração para a equipe hondurenha que está na Olimpíada. Até o técnico Luiz Suárez, que não nasceu em Honduras, fala com orgulho do resultado de 11 anos atrás. “Eu vi aquele jogo. Foi um dos maiores feitos de Honduras”, comentou o treinador. “É uma das melhores lembranças que o país tem, o povo de lá tem orgulho e fala muito sobre isso.”

Segundo Suárez, jogar contra o Brasil não é motivo para queixas, já que é uma boa oportunidade para Honduras exibir seu potencial para o mundo. Ele só lamenta a falta de recursos do futebol hondurenho.

“Nós temos material humano, que em muitos sentidos se perde ou chega imaturo ao profissional, com muitas deficiências técnicas. O Brasil não tem esse problema.”

Fonte: www.radioclubedopara.com.br

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