COLUNA DO GERSON NOGUEIRA – 20.03.13

20/03/2013

 

E a pelada vai dominar o mundo

Série especial de matérias da ESPN Brasil sobre as cidades que irão sediar jogos da Copa do Mundo mostra um cenário desalentador em Manaus para quem gosta de futebol. Além do monumental atraso nas obras do novo estádio, fica evidente o total desinteresse dos torcedores em relação às quatro partidas do Mundial que a capital irá receber. Entre ver Marrocos ou Japão jogar, o manauara prefere mil vezes mais acompanhar as trepidantes pelejas envolvendo algumas das 500 equipes que disputam o tradicional Peladão..

Ao mesmo tempo, se antes havia alguma dúvida quanto à utilidade pós-Copa do caríssimo estádio em construção, cujo custo deve beirar R$ 1 bilhão, agora reina a certeza absoluta. Os próprios torcedores admitem que a obra será um riquíssimo elefante branco pelos motivos que todo o pessoal que acompanha o Círio já conhece: há muito que o amazonense não comparece a estádios, a não ser para ver amistosos da Seleção Brasileira.

Em determinado ponto da entrevista, irrompe um entusiasta das peladas garantindo que a Arena da Amazônia terá, sim, uso depois da Copa. Não, não será usada como palco para festival de boi-bumbá, como os mais apressados poderiam imaginar. Segundo ele, o moderníssimo estádio passará a ser o templo sagrado do Torneio Peladão. Com base nessa previsão, que merece todo respeito, a grama de alto padrão que a Fifa exige nos estádios da Copa será aproveitada (ou estragada, conforme a interpretação) por peladeiros.

Nada contra os esquisitos hábitos da torcida de Manaus, mas tudo contra os critérios dos mentecaptos responsáveis pela escolha das cidades da Copa do Mundo. Vou voltar a um assunto batido e irreversível, mas soa inaceitável, sob qualquer ponto de vista, que Belém tenha sido alijada da competição. Como se sabe, o ex-presidente da Fifa, o notório João Havelange, e seu também insigne sócio de maracutaias Ricardo Teixeira trabalharam febrilmente junto à Fifa para que Manaus e Cuiabá, ambas sem a menor tradição futebolística, fossem contempladas.

O argumento preparado para enganar os crédulos era o da questão ambiental, associada às duas capitais. Seria uma explicação quase meiga se tivesse um mínimo de verdade a sustentá-la. Como aconteceu na África do Sul, para a realização da última Copa, a Fifa fez questão de impor ao Brasil a construção de 12 novos estádios. Muito além do apuro arquitetônico das arenas futurísticas, está em jogo o fabuloso orçamento para bancar esses gastos. Algo que no país da bola ronda a casa dos R$ 25 bilhões – para o mundial sul-africano, os gastos foram 30% menores.

À época da escolha das sedes, há quatro anos, questionada em relação a Manaus, Cuiabá e Natal, a Fifa alegou critérios técnicos e observações durante a fase de inspeção das cidades candidatas. Quem acompanhou a visita a Belém, numa tarde chuvosa, constatou a má vontade de Ricardo Teixeira e delegados da Fifa, que aqui permaneceram por menos de três horas, partindo para dois dias de visita a Manaus, expressando o interesse dominante na comissão.

Como ficou patente depois de definidas as sedes, Belém não deveria sequer ter competido com Manaus, mas merecia a escolha em relação a Natal ou Cuiabá, por exemplo. Em nenhum instante, porém, o manda-chuva da CBF fez o mínimo esforço nesse sentido. Pesou, acima de tudo, o fato de que o Mangueirão vinha de uma reforma recente e não pegaria bem – até pelo exposto na proposta da candidatura de Belém – levantar um novo estádio.

Ontem, como agora, à Fifa pouco importa se a capital eleita não se interessa por futebol e se, por isso mesmo, um público diminuto irá prestigiar os jogos destinados à sede amazônica. A entidade só quer saber quanto dinheiro será pago às construtoras desses gigantes de concreto e aço. O futebol é mero detalhe.

Era só o que faltava…

O episódio do cartola que passou o jogo de sábado, em Cuiarana, de megafone em punho, azucrinando e pressionando o trio de arbitragem deve ser apurado com rigor pela comissão de arbitragem da Federação Paraense de Futebol e merece apreciação do Tribunal de Justiça Desportiva. A interferência ostensiva de um dirigente, à beira do campo, desestabiliza a condução do jogo pelo árbitro e seus assistentes, devendo ser energicamente coibida.

Há muito tempo que o Campeonato Paraense não tinha notícia de práticas coronelescas, dignas do futebol de várzea. A desfaçatez com que o cartola do Santa Cruz agiu, a fim de garantir a vitória sobre o visitante Paragominas, não pode virar hábito num Estado onde práticas ruins são assimiladas com espantosa velocidade.

O mesmo pode-se dizer das atitudes violentas e antidesportivas da diretoria da Tuna em Cametá, na mesma rodada. Inconformados com a atuação da arbitragem, os cruzmaltinos chegaram a agredir os árbitros auxiliares na porta do hotel onde estavam hospedados.

Caso tais despautérios não sejam punidos, corre-se o risco de ter um campeonato dominado por cartolas bufões e arruaceiros, capazes dos piores desatinos sempre que seus times não consigam vencer.

Fortes emoções em campo

A quinta rodada do Parazão começa hoje com partidas que podem modificar bastante a posição na classificação do returno e geral. Tuna e São Francisco fazem um jogo de desesperados. A Lusa, que entra como favorita, precisa escapar da zona de rebaixamento e brigar por um lugar nas semifinais. O São Francisco tenta sair do incômodo jejum (seis derrotas consecutivas) e se acautelar contra o risco de cair para a Segundinha.

Em Cuiarana, com ou sem megafone, Santa Cruz e Águia realizam duelo de seis pontos. Ambos brigam para alcançar as semifinais do returno e o Águia empreende esforço paralelo para deixar a zona da morte. Confronto com cheiro de empate.

À noite, o Paissandu recebe o Cametá para um jogo de afirmação de autoridade. Líder na pontuação geral, garantido na final do torneio, o Papão ainda curte as delícias do passeio sobre o maior rival. Por mais que o Mapará se esforce, os ventos sopram inteiramente a favor dos bicolores.

Fonte: http://www.radioclubedopara.com.br

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