Torcida deu show em Mangueirão lotado

04/04/2013

 

Não é de hoje que a torcida paraense é conhecida pelo espetáculo proporcionado fora dos gramados. Enquanto campeonatos regionais definham Brasil afora com a falta de público, o Campeonato Paraense torna-se referência quando o assunto é arquibancada lotada. Não era de se esperar outra coisa quando o Remo enfrentasse o Flamengo, time de maior torcida do Brasil. No “duelo dos Mais Queridos”, como o jogo foi apelidado, a torcida fez valer a alcunha dos times e demonstrou a paixão fervorosa do jeito que só o paraense sabe fazer.

Mesmo com ingressos inflacionados e claramente fora da realidade local, a massa azulina surpreendeu os mais pessimistas e conseguiu encher seu lado do Mangueirão.

Dentro de campo, era clara a disparidade entre o gigante Flamengo da primeira divisão e o Remo, outrora grande e que hoje batalha por uma vaga na Série D. Isso não pareceu ter assustado aos mais fanáticos , que brincavam, pulavam e gritavam fazendo a verdadeira festa do torcedor.

Do outro lado, um vermelho e preto que destoava do habitual azul e branco que costuma preencher a arquibancada B do Mangueirão. O Flamengo justificou ser o maior do Brasil e, pelos 90 minutos da partida, fez tanto barulho que até parecia um jogo do Parazão. E engana-se quem achou que eram “secadores”, a grande maioria dos presentes vestia o manto flamenguista e bradava com orgulho possuir o sangue rubro-negro.

No espetáculo das arquibancadas, quem saiu feliz foi a torcida do Maior do Brasil, que viu seu time sair vitorioso no duelo mais equilibrado desta primeira fase da Copa do Brasil. Agora a partida de volta ganha um gás a mais e promete mais um show de bola dentro dos gramados, mas fora dele a torcida paraense dá lugar à carioca, que terá a difícil missão de ser mais intensa que o Fenômeno Azul.

Uma paixão que rompe fronteiras

Queremos agradecer a cada um de vocês, torcedores apaixonados do Flamengo que, mesmo longe do Rio de Janeiro, buscam apoiar e ajudar o clube. Não tem coisa mais animadora do que chegar aqui e receber o suporte que vocês nos providenciaram”, afirmou o presidente do Clube de Regatas Flamengo, Eduardo Bandeira de Melo, diante de uma plateia de cerca de 30 torcedores que pagaram valores entre 60 e 160 reais para participar daquele momento de confraternização clube-torcida em Belém. O evento, organizado pela companhia de eventos Futebol Tour em parceria com o clube, trouxe a Belém o ex-craque Adílio e uma réplica da taça Libertadores da América, conquistada pelo clube em 1981, para deleite de seus torcedores.

“O Flamengo tem uma relação muito próxima com Belém. A primeira viagem do clube para disputar amistoso foi para Belém, em 1916. 12 dias viajando de barco para chegar aqui e mais 12 para voltar. Então é uma situação especial vir aqui enfrentar o Remo pela Copa do Brasil”, relembra Adílio, que hoje em dia trabalha como embaixador do clube em ações sociais e projetos de marketing.

Além da história do clube, Adílio recorda da sua própria trajetória como jogador passando por Belém. Foi aqui, em 1977, num empate em 1 a 1 entre Remo e Flamengo, que o atleta marcou seu primeiro gol como profissional com a camisa rubro-negra.

REVENDO AMIGOS

Adílio também aproveitou a ocasião para rever um velho amigo que hoje em dia mora na cidade – o ex-meio campista de Remo e Flamengo, Aderson Lobão. “Jogamos juntos no Flamengo em 1980. Fiz várias amizades naquela geração fantástica que venceu tudo na década de 80, principalmente com o Adílio e o Júlio Cezar, que também jogou comigo no Remo”, afirmou o ex-meia.

A passagem pelo Mengo foi um pouco abreviada pela opção de Aderson em abandonar o futebol para se dedicar à medicina. “Bateu um sentimento de saudade quando eu vi aquele time conquistar tudo que conquistou de 1981 em diante. Eu poderia ter sido campeão da Libertadores, do mundo, mas acho que fiz a opção certa”, comentou o ex-meia.

Aderson realizou o curso de medicina em paralelo com a carreira de jogador de futebol, mas ao se formar médico, no primeiro ano no Flamengo, concluiu que a vida de estudante poderia ser conciliada com a de jogador, mas a de um médico profissional não. “Ainda hoje dá vontade de voltar a jogar, mas é aquela coisa – quando a gente é médico, quanto mais experiente melhor, quando é jogador de futebol não, então acho que é melhor eu continuar sendo médico”, brincou Aderson.

(Diário do Pará)

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