Só um milagre pode salvar o Papão do rebaixamento

25/11/2013

 

Diz o dito popular que a esperança é a última que morre, pois para a torcida do Paysandu essa esperança morreu aos 10 minutos do 2º tempo do jogo de sábado, quando o Bragantino-SP, mais uma vez, derrotou o time bicolor em pleno Mangueirão, chegando a sua quarta vitória na história do confronto. Com o resultado, a equipe paulista praticamente decretou a queda do Papão à Série C do Brasileiro de 2014. Só mesmo um milagre dos deuses do futebol pode evitar a saída do time alviazul da Série B do Nacional. Com a derrota, o Papão continua com 39 pontos, mas agora na 18ª colocação.

Para evitar o rebaixamento, o Paysandu precisa fazer o que parece impossível: golear o Sport-PE com uma diferença de seis gols e, ainda, torcer por um empate entre Guaratinguetá-SP e Atlético-GO, na última rodada da Segundona, sábado (30), no Recife. Nem o mais otimista dos torcedores acredita nesta composição de resultado, sobretudo a goleada necessária na capital pernambucana. Fora de casa o máximo que o time conseguiu foi uma vitória diante do América-MG por 1 a 0. Desta maneira, não só os torcedores, mas diretoria, comissão técnica e jogadores já jogaram a toalha, conformando-se com a “degola” do time.

O jogo de sábado teve um início truncado, com o torcedor não tendo muito o que vibrar. A primeira boa chance foi do Braga. Aos 5 minutos, Bruninho cruzou da esquerda, mas Cesinha perdeu o tempo da bola. Alívio para a Fiel. O susto despertou o time bicolor, que por três vezes ameaçou o gol adversário. As duas primeiras com Héliton e a outra com Zé Antônio, esta em cobrança de falta. A bola desviou na barreira, ganhando a linha de fundo.

No segundo tempo, com o gramado alagado. Os bicolores chegaram a pedir ao árbitro a paralisação do jogo. O apitador não deu ouvidos. O jogo seguiu e o Braga, aos 10, abriu o placar. Licom recebeu a bola e, de frente para o gol e bateu de pé esquerdo. A bola ganhou endereço certo, depois de raspar na perna do goleiro. Em desespero, o Papão partiu em busca do empate, criando algumas situações de perigo, mas nada de sustar. Com o jogo tenso, os jogadores Vanderson e Raphael Andrade foram expulsos, com os times encerrando o jogo com 10 jogadores.

Só restou chorar!

Choro, muito choro dos jogadores do Paysandu marcou o fim do jogo contra o Bragantino, no último sábado, resultado que decretou praticamente a queda do time bicolor à Série C do Brasileiro de 2014. Ainda no gramado, o lateral-direito Yago Pikachu sentou-se no gramado e não se conteve, caindo no choro. O defensor teve de ser consolado e retirado de campo pelo auxiliar-técnico Rogério Gameleira, o Rogerinho. No vestiário bicolor o clima era de velório. Uma prova de que os próprios jogadores já dão a queda do time como favas contadas. O goleiro Matheus completamente desolado, lamentava o gol que sofreu sem poder defender o chute desferido por Lincom.

O apoiador Alex Gaibu, da mesma maneira que os demais jogadores, cabisbaixo, falou sobre o revés sofrido pelo Papão. “Estou aqui faz um ano e só eu sei o que passei para conseguir o acesso com o time à Série B”, disse. “Hoje (sábado) a gente chora por deixar um clube, uma nação na Terceira Divisão”, completou. Com lágrimas nos olhos, o meia admitiu que o torcedor do Papão, que sempre prestigiou o time, principalmente nos momentos mais difíceis, como diante do Braga. “O torcedor não merece isso. Não tenho palavras para mostrar a minha tristeza, da família, dos amigos, dos torcedores”, finalizou.

O atacante Careca, que chegou a Belém com fama de “matador” foi outro que lamentou o rebaixamento do time. “Estamos todos muito tristes, abatidos, o momento é muito complicado”, admitiu. O jogador salientou o tempo que passou afastado do time por causa de uma lesão. “Foram 14 jogos sem atuar. Isso me deixa chateado. Não queria que isso estivesse acontecendo, ainda temos chances matemáticas, mas é quase impossível”, reconheceu.

O volante Vanderson, expulso, ressaltou, nas entrevistas, a fragilidade do elenco montado para a Série B. “Para disputar uma competição como a Segunda Divisão é preciso ter um elenco forte”, disse. “O treinador precisa olhar para o banco e ver peças de reposição à altura de quem está saindo”, prosseguiu. O jogador criticou quem abandonou o time no decorrer da competição. Vanderson ainda tem uma ponta de esperança de ver o Papão mantido na Segundona. “Vamos esperar esse jogo contra o Sport para ver se permanecemos na Série B. Os outros times nos ajudaram com resultados, nós é que não nos ajudamos”, declarou.

Agora é pensar no centenário

Abatido e sem esperança de ver a permanência do Paysandu na Série B em 2014, o presidente Vandick Lima fez, ontem, sua mea-culpa pela desastrosa campanha do time na Segundona, onde ocupa a 18ª colocação, com 39 pontos e remotas chances de evitar a queda à Terceirona. O dirigente apontou as contratações como o principal ponto falho de seu primeiro ano à frente do clube. “Fizemos contratações equivocadas, trazendo alguns jogadores que não conseguiram render aquilo que a gente esperava”, admitiu. Vandick, no entanto, procurou isentar os contratados de qualquer culpa, transferindo a responsabilidade à diretoria bicolor.

“Nenhum jogador ou treinador pediu para vir”, salientou. “Foi o Paysandu que foi atrás e contratou. Portanto, eles não podem ser culpados. Infelizmente nos faltou um certo critério na hora de contratar”, declarou. O cartola reclamou da falta de união entre os dirigentes. “O Paysandu unido tem grande chance de sucesso”, disse. “Não pode ocorrer essa desunião, que só faz prejudicar o clube”, comentou, referindo-se a oposição a sua administração. O presidente lembrou que tudo o de melhor foi dado ao elenco, principalmente no aspecto financeiro.

“Os salários estão sendo pagos em dia e as condições de trabalho são as melhores”, afirmou. Vandick prometeu agir diferente em 2014. “Vamos formar um grupo de jogadores que estejam comprometidos com a causa do clube”, adiantou. Com relação a treinador, o dirigente antecipou que não pretende trazer nenhum “medalhão” para comandar a equipe no próximo ano. “Vamos contratar um técnico novo, que não tenha nome e que queira crescer junto com o clube”, apontou o cartola, que na viagem a Juazeiro do Norte conversou com o técnico do Icasa-CE, Sideney Moraes, que tem esse perfil.

O presidente fixou o dia 27 de dezembro para a reapresentação do elenco, após a participação na Série B do Brasileiro. Após os exames de rotina, o grupo, já sob o comando do futuro treinador, viajará para alguma cidade do interior, onde fará sua pré-temporada, que deve começar no dia 2 de janeiro de 2014.

Faltou sangue, vontade e tudo mais

Um dos jogadores mais emblemáticos do Paysandu, o atacante Zé Augusto foi ao Mangueirão no sábado para apoiar o time no jogo com o Bragantino-SP. Depois da partida, o Terçado Voador deixou o estádio lamentando o tropeço e com quase nenhuma esperança de ver a equipe na Série B de 2014. “É muito difícil, quase impossível, mas ainda existe esperança”, declarou. O ex-jogador dividiu a responsabilidade pela campanha do time entre todos os que formam o clube. “Os erros foram de todos, diretoria, jogadores e comissão técnica. Não dá para apontar este o aquele como único culpado”, disse. Um outro ponto analisado por Zé foi a questão tão discutida de o Papão mandar seus jogos em seu próprio estádio.

“A Curuzu sempre foi a nossa casa”, disse. “As nossas grandes conquistas aconteceram lá”, completou. De acordo com o ex-jogador, o gramado da Curuzu está bem melhor hoje e não pode ser apontado como responsável pelos tropeços sofridos pelo time no local. “É uma desculpa dizer que o campo prejudicou”, disse. “O que faltou mesmo foi vontade”, complementou. Zé reconheceu não ter sido um grande craque. “Nunca fui um jogador dessa qualidade, mas quando entrava em campo aquilo ali era a minha casa, a minha família”, afirmou. “Sempre entrei determinado, o que não vejo hoje em muitos jogadores de hoje”, acusou.

Zé salientou que ainda está ligado ao Paysandu, embora já não faça mais parte do elenco do clube. “Nunca me desliguei do Paysandu”, assegurou. “Acompanho os treinos e vou a quase todos os jogos do time”, contou. O ex-jogador ainda pretende colaborar com o clube de uma forma mais direta. “Tenho muita vontade de trabalhar no Paysandu”, revelou. “Quem sabe se no futuro não posso ter uma atividade em alguma função dentro da Curuzu. Como disse essa é a minha vontade”, concluiu.

São tantas coincidências, bicho…

Mais uma vez o Bragantino como adversário. Mais uma vez um duelo no Mangueirão. Mais uma vez o time criou boas chances para definir o jogo no primeiro tempo. Mais uma vez o rival marcou gol na segunda etapa – no gol que fica em direção ao Natalia Lins, inclusive – e conquistou a vitória por 1×0 que rebaixou o Paysandu. Os torcedores mais jovens talvez não se lembrem, mas os caminhos que levaram o Papão da Curuzu a um novo rebaixamento à série C lembraram bastante os caminhos daquela primeira derrocada, em 1999.

A diferença crucial entre as duas campanhas é que em 99 o Paysandu chegou a criar boas expectativas em sua torcida. Em uma série B mais curta que o modelo atual (aquele time disputou 21 rodadas, enquanto o deste ano disputará até o final 38), até a décima segunda rodada, quando foi derrotado pela Desportiva por 2×0 fora de casa, o Paysandu chegou a brigar pela classificação para a segunda fase. Após essa derrota, no entanto, o time embalou uma sequência de resultados ruins, terminando o torneio com 5 rodadas sem vitórias. Já o time de 2013 nunca conseguiu se afastar muito do Z4.

De resto, o script apresenta muitos elementos em comum. Troca de treinadores é um desses itens. Joãozinho Rosas, João Francisco e Nad comandaram o Papão em 99. Lecheva, Givanildo, Arthurzinho e Wagner Benazzi este ano. As contratações sem critério e a rodo também. Em 99, o time beirou as 50 contratações, este ano foram mais de 20, alguns deles ainda nem estrearam. E diversos resultados decepcionantes como mandante. Como a derrota por 3×2 para o América-MG na Curuzu em 99 (com 3 gols do meia Irênio), e a derrota para o Icasa-CE e empate com o Oeste-SP este ano. Por fim, o cruzamento na reta final com o Bragantino, que já não vivia fase boa naquela época e hoje vive ainda menos, e uma derrota frustrante encerrando a jornada. Em 99, a derrota por 1×0 lançou o clube pela primeira vez no Z4 e definiu sua sorte, esse ano praticamente eliminou as chances de sobrevivência.

(Diário do Pará)

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