Um time discreto e sem poder de fogo na Ilha

02/12/2013

 

No ano em que completará 100 anos de fundação, 2014, o Paysandu voltará a conviver com o calvário da Série C do Brasileiro, que até a criação da Série D, em 2009, era taxada de inferno do futebol nacional. A despedida bicolor da chamada Segundona ocorreu no sábado (30) no empate, sem gols, diante do Sport-PE, na Ilha do Retiro, no Recife. O desfecho da participação bicolor no Brasileiro deste ano era previsível em função dos muitos equívocos cometidos pela diretoria na montagem do elenco do clube. Erros admitidos pelo presidente Vandick Lima e os demais componentes da cúpula bicolor.

O excesso de contratações de jogadores, a maioria deles sem qualidade técnica para jogar no clube, e a troca de treinadores foram alguns dos pontos falhos que conduziram o time à Terceirona de 2014. Da “carrada” de jogadores vindos de outros Estados poucos foram aqueles que conseguiram se salva. Entre eles o goleiro Matheus, que chegou a ser a quarta opção no elenco, e o meio-campista Jailton. Ambos conseguiram dar uma resposta positiva. Com uma equipe de nível de quarta divisão, a queda bicolor, numa espécie de crônica de uma morte anunciada já era esperada.

O jogo com o Sport-PE, com o time tendo remotas chances de seguir na Série B, serviu apenas para fechar o caixão alviazul e descê-lo à cova. Desde o início da Segundona, o Papão mostrou-se claudicante, não transmitindo confiança ao seu torcedor. Logo nas primeiras rodadas, o time não foi além de um empate, por 1 a 1, diante do Asa-AL e América-RN, jogando em Paragominas. Resultados entremeados pela derrota frente ao Ceará-CE, fora de Belém.

No Recife, o Papão voltou a ser um time discreto, sem nenhum poder ofensivo. Mesmo com a vaga garantida na Série A e em ritmo de festa, o Leão da Ilha conseguiu ser superior ao adversário. Mesmo tendo demorado a chegar à área inimiga, o que aconteceu pela primeira vez aos 22 por intermédio de Marco Aurélio, o rubro-negro foi quem mais arrisco o alvo bicolor. Nos minutos finais do primeiro tempo, o Sport pressionou e, por quatro vezes, quase abre o placar em jogadas de Marcos Aurélio, Lucas Lima, Rithely e Neto Baiano.

Na segunda etapa, o Papão deu a impressão de que seria mais ousado. Logo no primeiro minuto, Héliton teve tudo para colocar o time na frente, mas bateu em cima do goleiro. A resposta do Sport aconteceu aos 22 com Neto Baiano perdendo gol inacreditável. Apesar da pressão adversária, o Papão conseguiu evitar a derrota, trazendo para Belém o empate que não acrescentou nada a campanha do time.

COBRANÇAS AO PRESDIDENTE

É mais fácil ser mito do que ser de carne e osso. Vandick atingiu esse status com suas jornadas gloriosas com a camisa do Paysandu. Os dois gols na final da Série B em 2001 e os três na final da Copa dos Campões de 2002 foram feitos que lhe dariam, para sempre, o status de ídolo do futebol bicolor. Mas Vandick José de Oliveira Lima, queria mais. Dez anos após se aposentar, o artilheiro resolveu retornar ao clube para ajudá-lo como presidente. E com isso, voltou a ser de carne e osso e sofrer pressões. Com o rebaixamento bicolor, o ex-atacante entrará no segundo ano de seu mandato com um déficit moral perante a torcida.

“Eu sabia que quando estava vindo para o Paysandu como presidente tinha muito mais a perder do que a ganhar. Muitas pessoas acharam que eu vim para me candidatar na política, mas eu acho que não ganharia votos como dirigente, pelo contrário, me arriscava a perder os que conquistei como jogador. Mas acreditava, como ainda acredito, que podia ajudar o Paysandu e por isso vim”, avaliou.

Sobre os avanços e erros da temporada, ele lamenta que o futebol tenha encoberto algumas conquistas. “Fizemos reformas no clube, conquistamos patrocínios e autonomia no basquete, handebol, começamos a construção de um CT, um programa forte de sócio-torcedor. Mas é aquela coisa, futebol é carro-chefe. Se deu errado nele, então deu tudo errado”, sintetiza o mandatário.

Vandick se arrepende de algumas funções que o futebol bicolor assumiu este ano. “Deleguei as funções no futebol, procurei não me envolver para prestigiar quem estava lá, mas fizemos algumas opções equivocadas e só nos demos conta muito tarde”, lamenta o dirigente.

Olhando retrospectivamente, Vandick considera que talvez o clube devesse ter dado mais atenção a algumas sugestões do antigo diretor Oscar Yamato, que sugeriu uma série de reforços regionais antes do início da Série B. “O trabalho com o Yamato acabou não sendo tão bom, mas precisamos profissionalizar o futebol e essa função é estratégica para isso. É por isso que estamos apostando no Sergio Papelin para realizar conosco o planejamento para a temporada 2014”, afirmou o presidente bicolor.

(Diário do Pará)

Deixe uma resposta

Você precisar fazer login para comentar.