Camisa 33 surpreendeu a torcida, mas negativamente

16/12/2013

 

Depois de meses de mistério e especulações, eis que o esperado Camisa 33 estava diante dos olhos da torcida remista. Em descida apoteótica de helicóptero no centro do gramado do Mangueirão, acompanhado pelo presidente Zeca Pirão, o meia Eduardo Ramos foi oficialmente apresentado como o dono da Camisa 33, que relembra o número de partidas sem perder para o maior rival.

O clima da festa, porém, não foi exatamente o esperado pela diretoria. Pouco mais de oito mil pagantes foram ao estádio com a esperança de assistir a chegada de um Loco Abreu, Herrera ou Bruno Rangel. Mas a descida de Eduardo Ramos provocou um misto de respeito e descontentamento na torcida, que, dividida, disparou algumas vaias enquanto o jogador era levado até o palco montado para o discurso.

“Sei de toda a minha responsabilidade, mas chego aqui com muita humildade e responsabilidade. Venho para conquistar os nossos objetivos e dar alegrias ao torcedor. Estou muito esperançoso e com fé em Deus tudo vai dar certo nesta temporada”, disse, num tom discreto, meio tímido, mas confiante numa temporada positiva.

Antes, porém, discursaram o presidente Zeca Pirão e o ex-volante Agnaldo. O presidente pediu apoio dos torcedores e, num tom visivelmente emocionado, lembrou das dificuldades em montar uma equipe forte, que terminou com a chegada de Eduardo Ramos. A concretização da proposta, contudo, só foi confirmada há quatro dias, quando ele aceitou a missão de ser o jogador com a responsabilidade de reger a orquestra azulina. “Não procurei me preocupar com o número da camisa. O importante foi estar aqui. Eu estou feliz, vim por minha própria vontade e estou preparado para honrar o uniforme que vou vestir. Eu recebi a notícia da camisa 33 esses dias, mas procurei não falar disso, evitei o máximo”.

O contrato do meia é de dois anos. O Remo também adquiriu 70% dos direitos federativos do atleta, mas os valores do acordo não foram revelados. Os atacantes Bruno Rangel e Herrera realmente foram procurados, mas por falta de um acordo financeiro acabaram descartados.

Teve aplausos, vaias e até bênção

Se a intenção da diretoria era causar o maior rebuliço por conta da chegada do Camisa 33, a meta foi alcançada, mas não sem algumas ressalvas. Assim que pisou no gramado do Mangueirão, Eduardo Ramos causou um certo espanto aos torcedores. Ao invés de palmas e gritos de alegria, comentários mais discretos sobre a contratação tomaram conta do estádio, além de algumas vaias por parte da torcida.

Aos poucos, porém, depois da apresentação do meia e das suas primeiras voltas com a camisa azulina, as reações foram brotando das arquibancadas. Vaias e aplausos se ouviam por todo estádio. “Não era o que estava esperando. Criaram tanta expectativa para trazer ele?”, indagou um torcedor que estava em frente ao palco montado. Um pouco mais ao lado, em tom de alegria, desabafava outro azulino. “Ele foi o craque do campeonato, com certeza no Remo não será diferente. Já mostrou isso em campo”, rebatia.

Eduardo foi cumprimentado por todos os atletas. Na opinião deles, não há como negar as qualidades do companheiro. “O Eduardo é bom jogador. Se mostrar tudo o que sabe, com certeza ajudará muito”, disse o meia Ratinho. Para o goleiro Fabiano, um ‘medalhão’ a mais é sempre bem-vindo. “Vamos fazer com que ele se sinta bem no Remo e que apresente todo futebol demonstrado no antigo clube. É um grande jogador”, elogia, desejando sorte.

Sorte, aliás, é o que vem prometendo dia após dia a remista mais ilustre da Feira do Ver-o-Peso. A vendedora de ervas Beth Cheirosinha tratou de espantar um possível “mau olhado” em torno de Eduardo Ramos, com uma receita mais que famosa. “Eu preparei o estádio Evandro Almeida e mandei a ‘zica’ lá para o outro lado. Agora é só alegria, graças a Deus. Eu benzi o Eduardo com Arruda para tirar o ‘olhão’ de cima dele. Já colocaram ‘olhão’ no ônibus, e agora nele, mas não tem jeito, vai dar tudo certo para o Remo”, aposta Beth Cheirosinha.

Deixe uma resposta

Você precisar fazer login para comentar.