Joaci era uma das grandes promessas do futebol

05/01/2014

 

O futebol nem sempre faz justiça a quem tem talento. Que o diga o ex-jogador Joaci, 39 anos, que surgiu na Tuna Luso, em 1993, como uma das grandes promessas do futebol paraense. A carreira do ex-apoiador, no entanto, não prosperou por causa de contusões. Foram 12 anos como jogador, tempo que ele chegou a ser pretendido pelo Santos, Grêmio e Coritiba. Após dois anos na base, o ex-atleta começou a apresentar um problema no joelho direito, que o obrigou a passar por duas cirurgias, numa época em que os recursos da medicina não eram os mesmos de hoje. Era o fim do sonho do jovem jogador de defender uma grande equipe do futebol brasileiro e talvez até do exterior.

As cirurgias foram feitas em 1996 e 1997, em Campinas, interior de São Paulo. O ex-atleta chegou a fazer tratamento sob a orientação do fisioterapeuta Nivaldo Baldo, o mesmo que tratou dos craques Amoroso e Juninho Paulista. A lesão no joelho surgiu justamente quando o Santos oferecia R$ 300 mil pelo passe do jogador. Mesmo entregue ao “estaleiro”, o ex-meio-campista não deixou de ser cobiçado pelo Peixe, que reduziu a proposta para R$ 80 mil, o que não foi aceito pelos dirigentes da Lusa na época. “Eles acharam o valor muito baixo, achando que eu conseguiria me recuperar totalmente do problema”, conta Joaca, como é carinhosamente tratado na família.

Mesmo tendo sido submetido às operações, Joaci ainda voltou a jogar futebol, mas sem o mesmo potencial do começo da carreira. “Para continuar bem, teria de me submeter a uma terceira cirurgia”, revela. “Como sou alérgico a anestesia, fiquei com medo e preferi não me submeter à operação”, explica. Na volta a Belém, o ex-jogador continuou vinculado a Lusa, até ser cedido ao Remo, onde disputou as temporadas de 2000 e 2001. “Foi lá no Remo que consegui alguma coisa financeiramente”, informa. “Com o dinheiro que ganhei pude construir uma pequena vila de kitnet e comprar um apartamento, que me sustentam hoje”, diz.

A carreira do ex-jogador foi encerrada no Águia de Marabá, em 2005. Durante a carreira, por quatro vezes, Joaci esteve perto de conquistar um título local, ficando como vice-campeão nos anos de 1996 (Tuna), 2001 e 2002 (Remo) e novamente em 2003 (Tuna). Apesar de o futebol não ter sido tão generoso com o ex-jogador, ele não reclama. “Não tenho frustração por isso”, afirma. “Quem está no futebol, como eu estive um dia, está sujeito a esse tipo de situação”, argumenta.

Joaci começou a jogar futebol profissional como atacante, sendo recuado depois para o meio-campo. “Só mais tarde, na época em que Walmir Louruz e Bira estiveram como técnicos da Lusa foi que ele voltou a fazer o papel de homem-gol. “Esses treinadores achavam que eu me movimentava bem lá na frente e me escalavam na posição”, recorda. Aliás, foi o gaúcho Louruz quem indicou o ex-jogador ao Grêmio e ao Coritiba. Indicação que nunca prosperou em função do histórico médico do ex-jogador, que agora tenta transmitir tudo o que aprendeu no pouco tempo de carreira aos garotos da base tunante.

(Diário do Pará)

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