Copa Verde: a vez das disputas regionais

10/02/2014

 

Há 12 anos, a última edição da Copa Norte se encerrava com a vitória de 3 a 0 do Paysandu, de Givanildo Oliveira, contra o tricampeão São Raimundo (AM), de Aderbal Lana. Naquela época, a Copa Norte, disputada pelo sexto ano seguido, vivia um momento de crescimento, amparado pela rivalidade forte entre amazonenses, paraenses e maranhenses, os três estados com torcidas mais atuantes. A perspectiva era que a competição trouxesse frutos para o futebol da região, como a Copa do Nordeste trouxe para o futebol nordestino, mas esse plano não se concretizou.

 

No ano seguinte, a CBF extinguiu as copas regionais, e o futebol amazônico, em pouco tempo, entrou em processo de corrosão. Com menor intercâmbio, menor visibilidade e rivalidades regionais enfraquecidas, o futebol dos três principais centros da Copa Norte nunca mais foi o mesmo. A partir desta terça-feira, 11, essa esperança passa a ter um novo capítulo com a estreia da Copa Verde, reunindo equipes da Amazônia, Pantanal e do Espírito Santo.

 

O futebol paraense aparece nessa disputa como o mais tradicional entre os grupos, com direito a três vagas. Será uma briga ferrenha pela classificação e título, além do sonho de renascer no cenário nacional.

 

Longa linhagem

 

Os primeiros torneios integradores do futebol do Norte remontam à década de 60, antes mesmo da disputa do Brasileirão. Naquela época, onde geralmente o torneio era disputado entre times do Pará e Amazonas, o Clube do Remo reinou, com três títulos regionais e um Norte-Nordeste, conquistado ao derrotar o campeão da Copa do Nordeste em 71 – ano em que as fases regionais do Campeonato Brasileiro da segunda divisão tinham nome de Copas Regionais. Com o passar dos anos, o torneio entrou em esquecimento e a CBF passou a só reconhecer como campeões do Norte as equipes vencedoras da última encarnação do torneio, disputada entre 97 e 2002.

 

O título vale vaga?

 

Foi muito comentado e celebrado, antes do anúncio da Copa Verde, a possibilidade do campeão do torneio conquistar vaga para disputa da Copa Sul-Americana, possibilidade essa que o atual presidente da CBF, José Maria Marin, ainda não confirma. “Temos o interesse de conceder essa vaga, até como forma de valorizar mais a competição, mas ainda não confirmamos. Precisamos reunir mais algumas vezes para confirmar”, disse Marin em sua última passagem por Belém.

 

Não seria a primeira vez que o torneio regional daria direito a participar de uma competição internacional. De 98 a 99, o título do torneio deu vaga à Copa Conmebol. E os campeões do Norte não fizeram feio – Sampaio Corrêa e São Raimundo chegaram às semifinais do torneio. De 2000 a 2001, o título deu direito a uma vaga na repescagem para a Copa dos Campeões. Em 2000, o São Raimundo foi eliminado pelo Goiás e, no ano seguinte, o eliminou, mas não fez grande campanha. O Paysandu acabou sendo o time que chegou mais longe. Em 2002, entrou direto na Copa dos Campeões como campeão do Norte e, ao vencer o torneio, ganhou vaga na Copa Libertadores da América de 2003.

 

(Diário do Pará)

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