Vitória do Remo quebra tabu contra o Paragominas

14/02/2014

 

Foi suado e sofrido, mas o Clube do Remo saiu de alma lavada – literalmente – da Arena Verde, ontem à noite, após derrotar o Paragominas, pela primeira vez na casa do adversário, por 2 a 1, em partida de ida válida pela primeira fase da Copa Verde. O placar dá aos azulinos a vantagem de jogar, no próximo dia 20, em Belém, por um empate ou mesmo derrota simples.

Como era de se esperar, o gramado da Arena Verde esteve mais uma vez prejudicado devido a forte chuva que caiu minutos antes de a bola rolar. O campo pesado fez a partida se tornar truncada, sem jogadas em velocidades, e quem assimilou melhor a situação foram os visitantes.

O Paragominas, por sua vez, achou que poderia tocar a bola, ensaiar jogadas em velocidade com a bola no chão, mas o máximo que conseguiu, aos 17 minutos do primeiro tempo, foi abrir espaço para a falta cavada próxima da defesa. Na cobrança de Rodrigo Fernandes, o zagueiro Max pulou para desviar direto na meta do Jacaré: Remo 1 a 0. O placar favorável inflamou a onzena azul marinho.

Com o domínio do jogo, o time mandava o meio e empunhava maior mobilidade tática. A prova disso foi o lançamento de Ratinho, ainda no campo de defesa, para um apressado Thiago Potiguar passar entre os zagueiros e ser derrubado por Paulo Wanzeller. Pênalti que Leandro Cearense cobrou no alto, aos 35, sem chances de defesa para o goleiro do PFC.

O gol, porém, pareceu ser um dos últimos suspiros dos remistas. Isso porque nos 45 minutos finais o panorama foi inverso. Coube ao PFC partir para o ataque, tornando a partida um verdadeiro duelo particular. Enquanto o Remo se fechava, o Jacaré sufocava por bolas aéreas, nitidamente o maior problema da defesa azulina, que perdeu o volante Ilaílson, expulso por reclamação.

A pressão deu efeito aos 10 minutos, após cobrança de escanteio na área, que Aleílson descontou de lado, 2 a 1. Por muito pouco, o PFC não empatou nos minutos finais. O time da casa pressionou o Leão, que teve dificuldades para se defender, mas conseguiu sair da Arena Verde com o tabu quebrado.

Adversário foi uma pedra no sapato

O Paragominas dificultou bastante da vida dos remistas. Após um primeiro tempo morno, os donos da casa partiram para o ataque quando viram o placar desfavorável, e não fosse a sorte em alguns momentos, o empate provavelmente seria o placar final.

Para os jogadores do Remo, a vitória coroou um esforço coletivo que vem revertendo resultados diante de adversários indigestos. “A gente vem trabalhando para quebrar esses jogos. Ganhamos do Cametá na semana passada e agora vencemos aqui em Paragominas. Isso qualifica o nosso futebol que vem sendo jogado. Agora vamos descansar após esse compromisso difícil para o jogo de domingo contra o nosso maior rival”, ressaltou o zagueiro Max, autor do primeiro gol da partida.

As duas equipes pareceram lutar com todas as armas pelo resultado. Todas as substituições foram realizadas, e numa delas, na metade do segundo tempo, o Leão, por muito pouco, não ampliou. Foi de Athos uma das poucas boas oportunidades que poderiam finalizar o resultado. “A bola parou na poça, eu estava esperando ela passar para chutar cruzado, que é o ideal, mas tentei o recurso da cavada de três dedos. Agora, temos que admitir que o adversário foi muito forte, deu trabalho e se mostrou uma grande equipe, mas o nosso conjunto foi beneficiado pelo bom futebol”, valorizou o meia.

Outro problema, na visão dos azulinos, foi a atuação do árbitro Andrey da Silva e Silva, que expulsou o volante Ilaílson. “É um absurdo o que tem acontecido. Todos nós estamos indignados. O árbitro deveria ter expulsado o Paulo Wanzeller por ter parado nosso último homem, mas não, ele deu um amarelo e expulsou o nosso jogador. Não quero ninguém para ajudar o Remo, mas sim uma arbitragem justa”, criticou o presidente Zeca Pirão.

Charles: ‘nós tivemos atitude’

Para o técnico Charles Guerreiro, a vitória veio num momento em que o time aos poucos cria uma identidade forte. O treinador avaliou, apesar das condições de jogo, um Remo capaz de criar problema para qualquer adversário, começando pela quebra de alguns incômodos tabus, como este de nunca ter vencido o Paragominas na Arena Verde.

“Nós tivemos atitude. Sabíamos que o jogo seria difícil, principalmente pelo que muitas pessoas falavam da gente. Então colocamos um time forte, uma equipe jogando com responsabilidade e só dessa maneira conseguimos o objetivo”, vibrou.

“A pegada tem que ser dessa maneira. Fizemos dois jogos com muita pegada, um contra o Cametá e outro contra o Paragominas. Tem que ser dessa maneira e nós temos condições de fazer. Ou é igual ou melhor. O grupo assimilou essa necessidade muito bem”, completou. Para o próximo jogo, contra o Paysandu, o Remo terá o retorno dos quatro jogadores poupados: Eduardo Ramos, Alex Ruan, Zé Soares e Leandrão.

Neste sábado, o grupo fará o último treino no novo gramado do Baenão, onde provavelmente fará um trabalho intenso para prevenir as bolas aéreas, que mais uma vez foram criticadas pelo treinador. “Ali (gol do adversário) foi problema de marcação, porque a bola respingou para dois e o Aleílson pegou a bola de bate-pronto. Estamos trabalhando a bola parada porque ela decide muito os jogos”, concluiu.

Etapa inicial acabou com o PFC

Mais uma vez, o Paragominas voltou a apresentar dois tempos de futebol distintos. Como no jogo diante do Paysandu, otime pouco ofereceu resistência ao adversário e reagiu na segunda etapa. Se contra os bicolores o time buscou um empate na desvantagem por 2 a 0, ontem a reação não se repetiu.

Na primeira etapa, os donos da casa encontraram dificuldades para chegar ao ataque por falta de opções ofensivas. O técnico Cacaio escalou sua equipe com cinco atletas no meio campo e apenas Aleílson no ataque. Com a pouca movimentação de Adelson e as raras subidas dos laterais, o artilheiro do Jacaré acabou isolado, facilitando a marcação azulina. A lesão de Lourinho também desmontou o plano de jogo dos donos da casa.

Na segunda etapa as orientações de Cacaio pareceram surtir efeito e o Paragominas deixou de atacar de forma desordenada para aproveitar as saídas em velocidade com Adriano Miranda e Kaika. Após o gol de Aleílson, o Jacaré ainda criou pelo menos quatro chances boas para marcar, mas a defesa azulina acabou complicando os planos dos donos da casa. “Se tivéssemos reagido já na primeira etapa, talvez o resultado fosse outro. Reagimos, lutamos até o final, mas não conseguimos o empate”, lamentou o atacante Adriano Miranda.

(Diário do Pará)

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