Coluna do Gerson Nogueira – 11.09.14

11/09/2014

 

A incrível urucubaca dos nativos

O Remo vive uma situação extremamente favorável na Série D. Venceu duas partidas seguidas e pode se classificar em campo, no próximo domingo, caso derrote o River no estádio São Benedito, em Bragança. Pode também se classificar sem maior esforço, caso a decisão do STJD de punir o time piauiense (por usar irregularmente o jogador George Michael) se confirme. Em resumo, tudo conspira a favor da classificação à etapa de mata-mata da competição.

Ainda assim, mesmo desfrutando de fase tão positiva na competição nacional, alguns critérios ainda chamam atenção nas escolhas do técnico Roberto Fernandes, principalmente quanto a jogadores formados no próprio clube.

O zagueiro Igor João foi excluído dos planos e acabou liberado pelo clube. Até Roni, uma das joias mais preciosas surgidas no Evandro Almeida nos últimos anos e melhor atacante do time, correu o risco de seguir o mesmo caminho, chegando a amargar a reserva por três rodadas.

Jonathan, destaque do time nas últimas temporadas, foi relegado a terceiro reserva e está praticamente excluído dos planos imediatos. Volante moderno, dono de bom passe e capacidade de finalização, foi primeiro deslocado para a condição de terceiro reserva e hoje nem aparece mais na lista de relacionados para os jogos.

A última exclusão envolvendo atletas oriundos da base azulina é a do lateral esquerdo Alex Ruan, que surgiu há três anos e desde então vinha se firmando como titular. Para espanto geral, no último jogo, contra o Interporto, Alex foi barrado. Em seu lugar entrou Rodrigo Fernandes. Lesionado na partida foi substituído pelo improvisado Régis, que é lateral direito de origem.

Para enfrentar o River no próximo domingo, o técnico resolveu celebrar a improvisação. Como Rodrigo Fernandes foi cedido ao Icasa-CE, Régis herda automaticamente a posição. Enquanto isso, Alex Ruan passa a integrar a nau dos renegados, juntamente com Jonathan.

Pelo que se observou da atuação de Alex nas outras partidas, o lateral esteve em plano razoável, no mesmo nível dos demais companheiros de zaga. São as tais situações que ninguém entende, como diria o bragantino Cláudio Guimarães.

Vexame não desmerece novo basquete

Houve logo quem, com a afobação dos néscios, comparasse a lavada que o Brasil levou da Sérvia no basquete (84 a 56) com aquela peia histórica de 7 a 1 da Alemanha sobre a Seleção do Felipão, na Copa do Mundo.

Devagar com o andor.

Nada a ver uma coisa com a outra. Para começo de conversa, o Mundial de Basquete não acontece no Brasil, com torcida amarelada a empurrar os canarinhos. Com o torneio disputado na Espanha, os brasileiros não tiveram qualquer favorecimento ou simpatia nas arquibancadas.

Depois, cabe sempre lembrar que a seleção treinada pelo argentino Rubén Magnano teve desempenho dos mais louváveis ao longo da competição. O apagão diante dos sérvios não diminui em nada os méritos da equipe. Como parte da reestruturação do basquete masculino, a quinta colocação no Mundial pode ser considerada excelente.

Cair frente a um adversário fortíssimo, um dos melhores do mundo, não é desonra. Lamenta-se, obviamente, pelo placar elástico, provocado principalmente pelo fraco rendimento da equipe no terceiro quarto do jogo, quando perdeu por 17 pontos de diferença. O excepcional aproveitamento sérvio nas bolas de três pontos foi decisivo para a contagem final.

Os experientes Tiago Splitter, Marquinhos, Varejão e Nenê fizeram um campeonato de bom nível, ajustando-se aos planos de Magnano, que, pela primeira vez, conseguiu dar ao time um sentido de conjunto e força tática desde que chegou ao Brasil. O torneio serviu para revelar uma interessante safra de garotos, que entraram muito bem em várias partidas.

Promessas para encorpar a seleção para o desafio que realmente importa: o torneio olímpico em 2016, no Rio.

E Pelé volta a pisar na bola

Desde que Romário disse que Pelé calado era um poeta, o eterno Rei do Futebol não tinha mais aprontado nenhum deslize verbal mais grave. Ontem, ao comentar o caso de racismo no estádio do Grêmio, sua majestade teve uma recaída.

Durante evento patrocinado, no Rio, Pelé se meteu a opinar sobre o incidente envolvendo o goleiro Aranha, do Santos. “Acho que o Aranha se precipitou um pouco em querer brigar com a torcida. Se eu fosse parar o jogo cada vez que me chamasse de macaco ou crioulo, não tinha jogo”, disse, em entrevista à TV.

Pelé perdeu uma excelente oportunidade de ficar calado. Racismo não é, de fato, tema dos mais fáceis para ele. Ao longo de sua longa e profícua carreira, o Atleta do Século jamais se destacou por encarar o problema com olhos críticos.

Buscou sempre tangenciar, com frases mais ou menos parecidas com a de agora. Com isso, semeou exemplos tristes, como o de Ronaldo Fenômeno, que certa vez teve a pachorra de dizer que não se sentia discriminado porque é branco.

Para Pelé, ao que tudo indica, xingamentos e insultos não constituem crime. São as tais coisas do futebol. Ledo engano. Racismo se manifesta dessa e de várias outras formas, dependendo do grau de facilitação e impunidade.

Com a autoridade moral de quem é reverenciado até hoje no mundo inteiro, Pelé deveria pelo menos respeitar os ofendidos e silenciar.

STJD pode encerrar a arrastada polêmica

Está previsto para hoje o julgamento final do caso Brasília. O Pleno do STJD tem a chance de colocar um paradeiro nessa longa e chata novela sobre o campeão da Copa Verde. Para isso, deve confirmar a decisão unânime da Comissão Disciplinar, que deu ganho de causa ao Papão.

O regulamento diz que um time não pode escalar jogadores não registrados no BID. O Brasília escalou quatro. Se a lógica legal prevalecer, o título deve ser confirmado para os bicolores.

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