Coluna do Gerson Nogueira – 01.12.14

01/12/2014

 

Papão com a mira certa

A informação sobre os novos contratados do Papão, embora careça de confirmação oficial, indica que seus dirigentes estão com boa mira para solucionar problemas crônicos da equipe. Cabe observar que a reformulação está apenas começando e outros nomes deverão ser buscados para encarar a Série B, competição mais importante da agenda do clube em 2015.

Acima de tudo, merece destaque a agilidade em garantir a contratação de dois goleiros experientes e em boa forma. Posição das mais aflitivas do elenco, o gol terá com Genivaldo e Saulo duas opções bastante confiáveis.

Para o lado esquerdo da defesa, a vinda de Diego (ex-Macaé) é um alento. Ao longo da temporada, o Papão teve em Aírton uma peça claudicante, pouco confiável. Caso consiga trazer Diego, o time ganha um lateral de qualidade, ofensivo ao extremo e exímio cobrador de faltas. Além dele, a diretoria negocia com Willian Simões, ex-Sampaio Corrêa. Mais marcador do que apoiador, Simões seria um contraponto interessante a Diego.

Já no meio-de-campo, um velho sonho de consumo dos bicolores parece estar finalmente a caminho. Elanardo, que atua como volante e meia-armador, resolveria uma antiga carência da meia cancha. Ainda não é o camisa 10 dos sonhos da galera, com virtudes de organizador, mas pode ajudar bastante a arrumar o setor ali ao lado de Augusto Recife.

Outro meio-campista de recursos é Jonathan, que o Remo não soube valorizar nesta temporada. Volante moderno, ágil e de bom passe, tem virtudes para integrar a nova meiúca do Papão, com a vantagem de adicionar juventude a um setor já carregado de jogadores experientes. Com ele, mais Pikachu, Djalma e Bruno Veiga, o time ganhará muito em velocidade.

Para o ataque, o nome em vista é o de João Carlos, que enfrentou o Papão na final da Série C defendendo o Macaé. Apresentou-se razoavelmente no primeiro jogo, realizado em Macaé, e foi decisivo no confronto em Belém, quando marcou duas vezes. É preciso considerar, porém, que naquela partida o Papão estava desfalcado de dois zagueiros titulares.

João Carlos mostra força e muita facilidade para o cabeceio, mas é essencialmente um jogador de área. Na Série C, por necessidade, o Papão abriu mão do atacante fixo, passando a explorar o jogo pelos lados, com Veiga e Ruan. Para compor elenco, porém, João Carlos é boa alternativa.

O clube segue prospectando nomes e priorizando a procura por zagueiros, pois certamente perderá Lombardi, que deve optar pelo São Bernardo para disputar o Campeonato Paulista. Sobre Alemão, especulado para a defesa, tenho poucas referências, por isso prefiro não analisar.

Nada disso, porém, terá valido muito a pena se não tiver passado pelo crivo do técnico Mazola Junior. Aliás, pouco se terá avançado se o próprio técnico não confirmar a permanência na Curuzu.

Queda não é fim, pode ser recomeço

Doeu menos porque a queda tinha acontecido há alguns meses, talvez até já no comecinho do Campeonato Brasileiro. Quando deixou de pagar os salários dos jogadores, por permitir que a receita fosse bloqueada judicialmente (caso inédito na história dos grandes clubes nacionais), a diretoria fez uma aposta inequívoca na irresponsabilidade.

Protagonista da mais desastrosa das gestões da história do clube, o presidente Maurício Assumpção daria o golpe definitivo rumo ao rebaixamento ao demitir quatro titulares logo depois da Copa do Mundo. A medida, extemporânea e injustificada, deixou o time sem opções para enfrentar os embates finais da competição.

Apesar de seguidas chances para permanecer na Série A, diante de adversários igualmente desqualificados, o Botafogo não tinha força de ataque e nem consistência defensiva. Estava à deriva e passou a acumular derrotas por puro vacilo, erros primários de marcação e cochilos dos beques.

Não havia como fechar a equação com fatores tão negativos. A queda veio e parece confirmar o plano maquiavélico de seu idealizador. Parece óbvio que o presidente pretendia mesmo deixar o clube na Segunda Divisão, com a visão tosca de deixar a terra arrasada para atrapalhar os passos do sucessor.

A única boa notícia da semana é, não por coincidência, o fim dos desmandos de Assumpção. O novo presidente, Carlos Eduardo, tem agora a missão e o desafio de soerguer o Botafogo. Um clube que é ao mesmo tempo agremiação e legenda do futebol mundial não pode permanecer no limbo. A Estrela Solitária precisa voltar a brilhar.

Direto do Facebook

“Foi-se o tempo em que cair para se segundona era a desgraça fatal. Serve de recomeço e de chamamento de atenção para o futuro. O querido Botafogo caiu, não aprendeu a lição, e precisou retornar. Espero que agora, sob nova direção, o clube seja verdadeiramente respeitado por sua história, seus ídolos e torcida.”

De Iva Muniz, sobre a desdita botafoguense.

Vícios na base empobrecem o futebol

Na pausa entre duas partidas de pôquer, Ronaldo Fenômeno rompeu o silêncio em longa entrevista à Folha de S. Paulo. Indicou a entressafra de talentos como o grande problema da Seleção Brasileira atual. Observou que jogadores como Ronaldinho Gaúcho e Robinho não conseguiram fazer a transição entre a geração anterior, campeã mundial em 2002, e a atual.

Daí as dificuldades que Dunga, segundo ele, vai ter para comandar a recuperação da imagem do futebol brasileiro, principalmente depois do fracasso na Copa do Mundo e dos 7 a 1 para a Alemanha.

Ronaldo tem boa dose de razão, pois a safra recente do nosso futebol não inspira entusiasmos maiores, mas é verdade também que a essência do jogo precisa ser reformulada na formação dos atletas brasileiros. Enquanto este problema de origem não for atacado, craques como o próprio Fenômeno ficarão cada vez mais raros.

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