Coluna do Gerson Nogueira – 10.12.14

10/12/2014

 

Moraes e seus dilemas

O novo técnico chegou e o Papão já se mexe para completar a formatação do elenco para a próxima temporada. A ordem é intensificar o trabalho que havia sido iniciado com algumas contratações pontuais. Reavaliar antigas práticas para alcançar resultados melhores. É certo que o clube vai procurar investir na conquista dos títulos que deixou escapar em 2014 – Campeonato Paraense, Copa Verde e Campeonato Brasileiro da Série B.

Começar do zero é sempre um desafio, mas também pode ser uma bênção. Esta é a situação que se apresenta a Sidney Moraes, o novo treinador, apresentado anteontem no estádio da Curuzu. Novato no futebol nortista, sem conhecimento de como são as coisas no Papão, o técnico traz na bagagem um histórico de trabalho em clubes do mesmo porte.

Suas passagens por Icasa, Vila Nova, Náutico, Boa Esporte e Ponte Preta devem contribuir neste começo em Belém. Deve ter sido avisado que o orçamento é limitado e que o clube não poderá ultrapassar a casa de R$ 800 mil com a folha salarial na Série B.

Os primeiros contatos com a imprensa foram promissores. Moraes parece tranquilo e bem informado sobre as competições a disputar, além de otimista com a chance de fazer sucesso com o Papão. Sem otimismo não se vai a lugar nenhum. Aliás, não dá nem para sair de casa.

Apesar da boa repercussão da contratação, pelo perfil moderno do treinador, existem questões a serem enfrentadas de imediato. E quase todas passam por decisões quanto ao novo elenco. Acertar com reforços para a Série B é a maior das dificuldades, em função da inflação que ronda o mercado de contratações.

Difícil é avaliar se será possível contar com uma redução de custos nos primeiros meses do ano. O grande xis do problema está na capacidade de o Papão concorrer com outros clubes na disputa por atletas de bom nível. Na prática, será necessário contar com informações privilegiadas para garimpar jogadores ainda pouco conhecidos, se é que isto ainda é possível em plena era de comunicação em tempo real.

Do elenco que terminou a temporada, Moraes só poderá contar com cerca de 10 nomes. Será obrigatória a contratação de pelo menos mais 12 jogadores (quatro já estariam confirmados) para praticamente todas as posições. O consolo é que o novo técnico já poderá participar diretamente das escolhas, evitando contratações às cegas, como já se queixava Mazola, o comandante anterior.

Leão Azul vive dias de fuzuê

Havia um time de pelada em Belém nos anos 70 famoso pelas suas façanhas nos campinhos da periferia. Era o Fuzuê, equipe simpática e que tinha uma legião de simpatizantes. O nome era apenas de fantasia, pois a agremiação não tinha nada de desorganizada ou barraqueira.

Mas o significado da palavra faz lembrar a atual situação do Remo, às vésperas de um pleito remarcado e dividido entre duas correntes que fazem questão de deixar claro que pacificar o clube está fora de seus planos.

Em mensagem de e-mail, o amigo Ronaldo Passarinho, um dos grandes beneméritos do Leão, faz um apelo à paz e ao bom senso, com oito recomendações à chapa que triunfar na eleição do próximo sábado:

“1- Gastar menos do que arrecadar, incluindo os patrocínios;

2- Fazer uma rigorosa seleção nas contratações;

3- Não permitir, em hipótese nenhuma, contratação de empresários, mesmo licenciados, para qualquer atividade relativa ao futebol;

4- Sanear a terrível dívida trabalhista, que, sem providências sérias, levarão o clube à insolvência;

5- Ter a responsabilidade de saber à grandeza do CR;

6- Fazer uma administração completamente transparente, exibindo dados, e prestando contas a todos os remistas;

7- Não criar falsas expectativas, anunciando contratações bombásticas que não trazem nenhum retorno ao clube;

8- Incentivar, de forma responsável, a participação do nosso maior patrimônio, o Fenômeno Azul.

Aos eleitos para o Condel, um apelo: fiscalizar rigorosamente as atividades inerentes à vida do clube e torná-lo proativo e não reativo, como hoje está funcionando, pelo desprezo a que tem sido relegado”.

Abraços do teu amigo, Ronaldo

Um campeonato mixuruca em gols

Para quem ainda tinha alguma dúvida, os números ajudam a clarear a dura realidade. O Brasileiro 2014 foi mesmo um dos mais chinfrins da história, reflexo do mau momento vivido pelo futebol brazuca. A média de 2,26 gols/jogo (859 no total) foi a pior desde 1995. A fraqueza dos jogos e a pouca inspiração dos times ajudam a explicar o fiasco.

Não por acaso, a tradicional Bola de Prata da revista Placar consagrou dois legítimos atacantes nível B: Fred e Barcos.

Direto do blog

“Torço para que um dia o Nunes seja substituído para ver quem é esse mágico que irão colocar na Federação e que vai tirar Remo e Paysandu do buraco. Esses dois times responsabilizam a Federação por seus fracassos e se fazem de vítimas para seus torcedores. Que culpa tem a FPF se o Remo está na crise em que está? Que culpa tem a FPF se o Paysandu, em um ano, perdeu três títulos recebidos de bandeja? Bahia e Vitória caíram e ninguém por lá está pondo a culpa na Federação. Botafogo, idem. Há muitos anos que os times da capital vêm usando a Federação como bode expiatório para seus fracassos. Ela não joga nem contrata jogador, muito menos administra os clubes.”

Do Jorge Coelho, cansado de ouvir a ladainha da dupla Re-Pa contra a FPF.

Aviso aos navegantes

Breve conselho aos jovens navegantes. Quem está escolhendo o melhor ofício para seguir, seja jogador de futebol ou alfaiate, cozinheiro ou músico, engenheiro ou professor, deve pensar muito antes de se decidir. Nem sempre é possível corrigir a rota depois.

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