Coluna do Gerson Nogueira – 09.02.15

10/02/2015

 

Vitória e reconciliação

 

O placar de 2 a 0 não diz o que foi o jogo. No segundo tempo, o Remo construiu pelo menos mais seis grandes oportunidades para marcar. Os gols que não aconteceram no primeiro tempo surgiram na etapa final, sob chuva e com a torcida jogando junto, vibrando até com os lances desperdiçados. Apesar da sensação de que a classificação podia ter sido encomendada em casa, o Remo saiu de campo aplaudido e reconciliado com a torcida.

Em ritmo forte, com jogadas em velocidade e pressão sobre a saída de bola do Rio Branco, o time entrou a fim de sufocar e decidir a parada logo nos primeiros minutos. Fez quatro ataques fulminantes antes dos 10 minutos, mas falhava nas finalizações. Roni, Bismarck e Eduardo Ramos comandavam as investidas, com muitos dribles e passes rápidos.

A disposição empolgou a torcida, que há exigia vontade, comprometimento e “sangue nos olhos”, como resumiu o técnico Zé Teodoro. A pressão imposta desde o começo desestabilizou o Rio Branco, mas não passou de cruzamentos sem maior perigo.

Os acreanos saíam sempre à base de chutões e em raros contra-ataques. Na reta final do primeiro tempo, com Eduardo Ramos mais perto de Bismarck e Roni, as chances voltaram a ser criadas, mas os chutes saíam tortos ou estouravam nos zagueiros.

A bola só entrou uma vez, aos 30 minutos. Bismarck aproveitou rebote de chute inicial de Ramos, mas estava em impedimento. A insistência continuou, mas os cruzamentos nunca achavam um jogador bem posicionado na área, pois Flávio Caça-Rato saía sempre para buscar jogadas, como é sua característica.

Depois do intervalo, com um temporal castigando o Mangueirão, o Remo imprimiu velocidade ainda maior nas jogadas ofensivas. Os laterais Alex e Levy se aproximaram dos atacantes, sem deixar o Rio Branco sair de seu campo.

Logo aos 5 minutos, tabelinha entre Ramos e Dadá foi interrompida com falta dura na entrada da área. Alberto cobrou e acertou o canto direito. O gol entusiasmou ainda mais o time, que passou a atacar em busca do segundo. E ele veio, aos 14 minutos, em bola enfiada para Roni, que mandou para as redes. Estava adiantado entre dois zagueiros, mas a arbitragem validou o gol.

Para corrigir a falta de referência na área, Zé Teodoro substituiu Caça-Rato por Rafael Paty. Tirou Bismarck, cansado, e lançou Ratinho. Tornou o time ainda mais forte no ataque, embora menos intenso na armação, pois Bismarck funcionava como um motorzinho nas arrancadas pelo meio.

Ramos, que já havia se destacado no começo, correndo como nunca, assumiu a responsabilidade pela criação de jogadas e comandou o jogo de pressão sobre o Rio Branco. De seus pés saíram passes precisos para Roni, Paty e Alex Ruan.

As oportunidades foram se repetindo. Roni perdeu três grandes chances, todas evitadas pelo goleiro. Ramos mandou uma bola cruzada, que o arqueiro espalmou. E, lançado pelo camisa 10, Paty perdeu, quase ao final, chance de ouro. O chute saiu rente à trave esquerda.

A três minutos do fim, Alex Ruan foi autor da mais bela jogada da noite. Após lançamento de Ramos, o lateral foi à linha de fundo, driblou dois zagueiros dentro da área e chutou forte, cruzado. Caprichosamente, a bola desviou na zaga e foi a escanteio. Um pecado. Alex e o torcedor mereciam o gol.

 

 

Com dribles e passes, Ramos sobressai

 

De uniforme novo, o Remo saiu aplaudido de campo, reconciliado com a sua torcida. Para isso contribuiu bastante a destacada atuação de Eduardo Ramos, que se movimentou por todo o campo e não se furtou a buscar lances individuais, como há muito não fazia. Empolgou os torcedores e ganhou elogios do técnico Zé Teodoro. Posicionado mais à frente, junto aos atacantes, o camisa 10 ficou à vontade para distribuir passes, em tabelinha ou profundidade, e teve disposição para arriscar jogadas pessoais.

Foi, seguramente, sua melhor atuação desde que chegou ao Remo. O próprio andamento do jogo comprova que o desembaraço e a criatividade do meia-armador fazem com que todos os setores funcionem bem. A dúvida agora, como também sublinhou Zé Teodoro, é se Ramos vai manter regularidade. Caso siga nesse ritmo, o Remo certamente será um time mais organizado e temido.

A atuação do estreante Bismarck certamente contribuiu para o bom rendimento de Ramos. Dinâmico, às vezes correndo até mais do que a bola, Bismarck faz o estilo motorzinho. Desarticulou a marcação e só era parado com falta. Uma estreia auspiciosa. Outro que entrou na equipe ontem mostrando qualidade e segurança foi o zagueiro Ciro Sena. Pode ter garantido a titularidade.

 

 

Estreias com resultados animadores

 

Com duas vitórias (de Independente e Remo) e o empate do Papão, os representantes paraenses abriram positivamente a caminhada na Copa Verde. O resultado mais significativo foi o do Galo em Tucuruí. O placar de 2 a 0 sobre o Brasília, campeão de 2014, mostra qualidade e dá certa segurança para o jogo de volta na capital federal.

O Papão foi a Macapá e vencia o jogo (gol de Marlon) até os 35 minutos do segundo tempo. Um descuido da defesa propiciou o empate do Santos. Podia ter sido pior: logo em seguida, o time amapaense quase desempatou. O empate fora de casa com gol é um bom resultado, mas a sequência de dois jogos sem vitória contra times inferiores motiva preocupação.

 

 

Violência desenfreada e impune

 

As cenas dantescas de pancadaria no clássico Palmeiras x Corinthians juntam-se ao arrastão de gangues uniformizadas do Flamengo em Macaé no rosário de truculência das torcidas nos grandes centros do futebol brasileiro. Parecem cenas de arquivo, tamanha a semelhança com episódios recentes. Infelizmente, semelhante também será o destino dado à apuração e às providências em relação aos malfeitores.

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